Técnicas de preservação da fertilidade no homem

Home » Profissionais de Saúde » Preservação da fertilidade em doentes oncológicos » Técnicas de preservação da fertilidade no homem

homemfertilidade-01

Aceda aqui ao esquema geral das técnicas disponíveis

Criopreservação de esperma
Criopreservação de tecido testicular
Criopreservação de esperma
Breve descrição
As amostras de esperma, obtidas por masturbação, biópsia testicular ou eletroejaculação, são criopreservadas. Posteriormente, quando o doente assim o pretender, o esperma poderá ser usado para a criação de embriões, por inseminação intrauterina (IIU), fertilização in vitro (FIV) ou injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI).

Classificação
Técnica Estabelecida.

Indicações
Para quem: homens e jovens na pós-puberdade.
Quando: antes de iniciar os tratamentos potencialmente gonadotóxicos.

Taxas de sucesso
A taxa de gravidez é variável e depende, entre outros fatores, da técnica de fecundação utilizada. Há centros que relatam taxas de gravidez, por ciclo, de 40 a 50%, utilizando esperma criopreservado de sobreviventes de doença oncológica e recorrendo a técnicas de FIV/ICSI (10, 11).

Riscos

Riscos para o homem
Não existe qualquer risco associado a esta técnica.

Riscos para a descendência
Os tratamentos da doença oncológica são potencialmente causadores de mutações nas células germinais do epitélio seminífero. No entanto, os dados atualmente disponíveis indicam que não há um risco aumentado de malformações congénitas ou de doença oncológica nas crianças nascidas com utilização de esperma criopreservado de sobreviventes de doença oncológica. De igual forma, a descendência de sobreviventes de doença oncológica do sexo masculino não apresenta risco aumentado de complicações obstétricas e perinatais ou de baixo peso à nascença (12).

Conservação do esperma criopreservado
De acordo com a lei vigente em Portugal, o esperma é criopreservado por um período de três anos. Findo esse período, o proprietário do material biológico tem de se deslocar ao centro para assinar um consentimento de manutenção da criopreservação. Na ausência deste consentimento de manutenção, o esperma será descongelado e eliminado. O esperma poderá ser utilizado para fins científicos desde que tenha ficado expressa, no consentimento informado, autorização para essa utilização.

Momento ideal para conceção
Tendo em conta o tempo necessário para reparar eventuais alterações genéticas, recomenda-se que o doente oncológico aguarde pelo menos 2 anos, após terminarem os tratamentos, antes de tentar ser pai (13).
Salienta-se que o esperma criopreservado antes de iniciar tratamentos não foi exposto às substâncias potencialmente mutagénicas e, teoricamente, pode ser utilizado de imediato.

Custos
No âmbito do Serviço Nacional de Saúde (SNS), a criopreservação de esperma de doentes oncológicos e a sua manutenção são, em geral, procedimentos gratuitos.

Criopreservação de tecido testicular
Breve descrição
Esta técnica é uma alternativa à criopreservação de esperma, em homens adultos, quando não é possível a ejaculação ou quando o esperma ejaculado não contém espermatozoides. As amostras de tecido testicular são obtidas através de biópsia, preparadas e criopreservadas. Após terminar os tratamentos, e quando o doente assim pretender, as amostras podem ser descongeladas e os espermatozoides utilizados para fecundação por ICSI.
Em crianças ou jovens pré-púberes, a criopreservação de tecido testicular é a única opção de preservação da fertilidade, embora, nesta população, seja uma técnica experimental, sem registo de experiências clínicas de sucesso. Prevê-se que, num futuro próximo, venha a ser possível transplantar o tecido criopreservado/descongelado ou realizar maturação in vitro das células espermáticas (12).

Classificação
Em homens e jovens na pós-puberdade, a recolha de tecido testicular através de biópsia e subsequente criopreservação é uma técnica estabelecida.
Em indivíduos pré-púberes, a recolha e criopreservação de tecido testicular imaturo é uma técnica ainda experimental. Tendo em conta os avanços promissores da investigação nesta área, espera-se que, num futuro próximo, possa ser utilizada com sucesso.

Indicações
Para quem: única opção disponível para crianças e jovens na pré-puberdade; homens e rapazes na pós-puberdade nos quais a recolha de espermatozoides no ejaculado não seja possível (p. ex. em casos de azoospermia).
Quando: antes de iniciar os tratamentos potencialmente gonadotóxicos.

Taxas de sucesso
As taxas de gravidez, embora muito variáveis, são geralmente inferiores às que se obtêm com o uso de esperma congelado (14, 15).
No que se refere à criopreservação de tecido testicular imaturo, até à data a investigação está limitada a estudos pré-clínicos.

Riscos
Riscos para o homem
Alguns riscos associados à biópsia testicular incluem o desenvolvimento de hematoma, edema ou dor na zona escrotal e, menos frequentemente, o risco de hemorragia ou infeção. Algumas complicações mais graves, que são muito raras, incluem lesão nervosa ou atrofia testicular. Por outro lado, pode não ser possível obter espermatozoides no tecido testicular colhido (16).

Riscos para a descendência
A descendência de sobreviventes de doença oncológica do sexo masculino não apresentou risco aumentado de complicações obstétricas e perinatais ou de baixo peso à nascença. Por outro lado, embora os tratamentos da doença oncológica sejam potencialmente causadores de mutações nas células germinais do epitélio seminífero, os dados disponíveis indicam que não há um risco aumentado de malformações congénitas ou de doença oncológica nas crianças nascidas com utilização de esperma criopreservado de sobreviventes de doença oncológica (12).

Conservação do tecido testicular
De acordo com a lei vigente em Portugal, o tecido testicular é criopreservado por um período de três anos. Findo esse período, o proprietário do material biológico tem de se deslocar ao centro para assinar um consentimento de manutenção da criopreservação. Na ausência deste consentimento de manutenção, o tecido testicular será descongelado e eliminado. Os espermatozoides poderão ser utilizados para fins científicos desde que tenha ficado expressa, no consentimento informado, autorização para essa utilização.

Momento ideal para conceção
Tendo em conta o tempo necessário para reparar eventuais alterações genéticas, recomenda-se que o doente oncológico aguarde pelo menos 2 anos, após terminarem os tratamentos, antes de tentar ser pai (13).
Se o tecido testicular a utilizar tiver sido criopreservado antes de iniciar tratamentos, não foi exposto às substâncias potencialmente mutagénicas e, teoricamente, pode ser utilizado de imediato.

Custos
No âmbito do Serviço Nacional de Saúde (SNS), a criopreservação de tecido testicular de doentes oncológicos e a sua manutenção são, em geral, procedimentos gratuitos.

 

Última atualização: Fevereiro de 2014.

Informação elaborada com o apoio da

LPCC